sábado, 20 de outubro de 2012

Caindo nas mãos de Deus



Há dias em que perguntamos: Onde Deus esteve quando aconteceu o acidente? Para onde Deus estava olhando que não viu que eu estava precisando Dele? A vida estava doendo tanto...

Nunca saberemos o que Deus estava pensando, fazendo ou planejando. E, desconfie de quem disser que sabe! Deus é Deus e não nos compete “achar” que Ele fará isso ou aquilo.

Martin Luther escreveu: “Ore como se tudo dependesse de Deus, e aja como se tudo dependesse de você”. Deus faz a parte Dele e nós temos que fazer a nossa.

O ser humano age de forma errada e culpa Deus. Um motorista alcoolizado invade casas e pontos de ônibus e, inocentes morrem ou se machucam. Não respeitamos a natureza e, um dia, o mar invade a cidade, o morro se desfaz como gelatina, a ribanceira desaba sobre casas e carros. Há quem tenha fumado por 40 anos e, ao descobrir que está com câncer, pergunta: “Por que eu?”.

Claro que o sofrimento de inocentes é inadmissível. Como diz um amigo: “Tudo o que não entendo, tudo para o que não tenho respostas, estou anotando num caderninho, e um dia quando estiver diante de Deus, Ele terá que me explicar!” Com bom humor o padre está querendo dizer que há coisas para as quais não temos e nunca teremos respostas, a não ser, quando estivermos nas mãos de Deus. Mas o que podemos fazer é crer - confiar - que, mesmo que tudo desmorone em nossa vida, mesmo que todos nos abandonem, mesmo que não reste mais nada, podemos ainda saber que Deus está ali, caminhando em silêncio conosco, enxugando lágrimas, algumas vezes, até nos carregando. Ele faz isso através de amigos e amigas que surgem de lugares inesperados, de ajuda que vem de onde menos esperamos. Deus faz, sim, seus anjos acamparem ao redor de que tem fé.

Tenho certeza, que você que está lendo agora este texto, sabe do que estou falando. Olhe um pouco para trás, em sua vida. Faça uma retrospectiva e irá lembrar que houve momentos que já não tinha mais forças. E, mesmo assim, sobreviveu e superou. Hoje você se pergunta: Como consegui? De onde veio força, coragem, perseverança e, até mesmo, a teimosia de viver? A força que você teve não era sua.

Deus é Deus, não se deixa governar por nossos desejos, mas está escrito que Ele ouve o clamor de seu povo. Então, oremos para que nossas dores e angústias possam ser colocadas nas mãos do Pai, e ali serem deixadas. Precisamos lembrar, também, de agradecer, de dar graças pelas alegrias e conquistas, porque as bênçãos também vêm. Contudo, na maior parte do tempo, estamos tão ocupados em reclamar, lamentar, que não vemos as bênçãos que estão, dia a pós dia, acontecendo.

Que as mãos de Deus os abençoem e guardem.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mais amor, por favor!



“Talvez a fé, a esperança e o amor não resolvam
tudo e nem todos os nossos problemas.
Mas a vida sempre terá valido
mais a pena se tivermos tido a sabedoria
de ter fé e esperança e a coragem de amar.”

(Vera Cristina Weissheimer)



“O Perfume”, um romance do escritor Patrick Süskind, conta a vida de Jean-Baptiste, que nasce num mau-cheiroso mercado de peixes. O personagem cresce tendo um olfato extraordinariamente apurado, mas ele mesmo não possui cheiro algum. Por causa de seu estranho dom decidiu guardar cheiros de todas as espécies. Acabou por tornar-se perfumista desejando criar o perfume Absoluto. Não contarei o enredo por que vai perder a graça. Eu tenho pensado sobre a necessidade de termos, talvez não o Perfume Absoluto, mas mais perfume do que mau-cheiro em nossos dias. Há odores muito mais estranhos que estão corrompendo vidas: a falta de gentileza, de educação, de consideração, de atenção, de amor e de perdão. Esses são fedores que corrompem e adoecem a humanidade. Mas a GENTILEZA pode aproximar, o PERDÃO pode curar e o AMOR pode salvar.



Na cidade de São Paulo alguém resolveu escrever em algumas paredes, muros e bancas de jornal a frase: “MAIS AMOR POR FAVOR”. Para mim isso soou como um pedido público para que a vida seja MAIS e não MENOS. Temos nos acostumado a amor de menos, a vida de menos, a carinho de menos.
Que Deus, que é AMOR, possa transformar mentes, corações, instituições e relações para vivermos tempos EM QUE O AMOR SEJA O PERFUME ABSOLUTO A PERFUMAR NOSSAS VIDAS.



Sugestão de oração:

Tu que és Amor, toca corações e mentes para que relações possam ser transformadas, que o mau cheiro do mundo possa dar lugar a perfumes como perdão, gentileza, amor, presença, carinho, confiança... capacita-nos a sermos verdadeiramente irmãos e irmãs, onde um novo perfume possa se fazer sentir. Amém



Vera Cristina Weissheimer




quarta-feira, 7 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher

No dia 8 de março, dia internacional da mulher, convido para acendermos uma vela lilás por todas as mulheres que deram suas vidas por um mundo melhor, e por outras tantas que dedicam suas vidas na construção de uma sociedade mais irmanada. Também nas nossas comunidades, as mulheres, parceiras dos homens, são força criadora e criativa de nossa Igreja.



Vela acesa. Em oração pedimos ao Pai que derrame sua bênção amorosa sobre as mulheres, para que continuem sendo fortes em toda sua fragilidade. Que derrame sua bênção também sobre os homens, parceiros de caminho e construção de um novo tempo de justiça e paz.


No voy a preguntarme

No voy a preguntarme de dónde vengo
ni a dónde iré después de la tormenta
ni que estrella es la mía en este tránsito;
lo que si me pregunto es por qué el mundo
es lo que es y nadie puede nada.
Cuando se grita, cuando se cae enfermo,
cuando se sueña, cuando se va deprisa,
cuando se intenta amar, cuando se odia,
hay un hielo que cubre todo gesto



  • Concha Mendez

quinta-feira, 1 de março de 2012

A idade e a mudança

Lya Luft
Este comentário da escritora, tradutora e poetisa vale para ambos os sexos, com qualquer idade.
Ela está com 74 anos. 
 

"Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo.
Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades.
E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.
Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência,
e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'

Onde, não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'.
Estão todos em busca da reversão do tempo. Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas, mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se 'mudança'.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.
Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.  Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme  em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem,
só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.
Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar. Olhe-se no espelho..."

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

El Silencio De Beethoven..

O silêncio



Perguntei a uma paciente: "O que posso fazer por você?"; e ela abriu  com vagar os olhos  cansados e disse: "Me deixe quieta... preciso do silêncio, só isso." Havia, no entanto, naquele quarto, quem quisesse fazer orações intermináveis, havia quem quisesse ver a novela da tarde, havia quem no intuito de ser companhia para a paciente, estava jogando dominó numa pequena mesa ao lado de uma imagem de Nossa Senhora. Mas ninguém lembrou de tentar saber o que a paciente queria. Ela que está em passos vagarosos, e está ciente disso, fazendo a sua travessia, pediu por silêncio. A leucemia tomou conta de cada célula. 
Ao ouvir o pedido da paciente, fui tomada  por um constrangimento doído. Somos  egoístas. Não admitimos que a morte faça parte de nossa vida, e não admitimos que nossos mais queridos tenham que morrer. "Afinal, de alguma coisa temos que morrer", disse me outra paciente.
Ela pedia por silêncio. Ora, o silêncio tem sons de poesia, tons de reverência diante do divino. O silêncio ajuda no-encontro-conosco-mesmos, "pode ajudar-nos a ganhar distância em relação às nossas raivas e rancores", escreve Anselm Grün. O silêncio verdadeiro e meditativo nos põe em contato com nossos desencontros, e desenganos e por isso é curativo. Porque  nos unge com a graça da re-conciliação com nossa alma - aquela parte em nós, onde cada um é como é, sem máscaras e meias verdades.  Esse encontro mais profundo com nossa alma é importante para a paz nessa caminhada.


Silêncio também queria o paciente que deixou numa carta as instruções para seus penúltimos momentos -- sim, penúltimos, porque últimos, não sabemos quais são. Queria todo mundo ao seu redor e que a música que tocasse no quarto até ele parar de respirar deveria ser  "O Silêncio", de Beethoven. E assim foi feito. 


Escrevo isso para homenagear todos aqueles e aquelas que estão fazendo sua caminhada e nem sempre tem seu desejo de silêncio e quietude respeitadas.


(Dica de leitura: "As exigências do silêncio" de Anselm Grün)